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A evolução do armazenamento de informações: sistemas clássicos e quânticos

  • Rafael T. Bossa e Renato S. Sposito
  • 18 de mar.
  • 7 min de leitura

Atualizado: 1 de abr.

A informação evolui paralelamente ao desenvolvimento da espécie humana e está presente nos momentos mais significativos desse percurso histórico, mas não somente nos acompanha, como também biologicamente compõe parte intrínseca do que  somos, por exemplo, por meio dos códigos genéticos presentes no DNA. Além disso, sem a informação não há conhecimento, já que esse surge quando a primeira é percebida e assimilada, de maneira a modificar o arcabouço intelectual do indivíduo, que por conseguinte irá melhorar seu auto entendimento e desenvolvimento, bem como o convívio com a sociedade, proporcionando a ela o progresso (Barreto, 1994).

Nessa perspectiva, a fim de garantir que a elaboração do conhecimento seja contínua e eficiente, há dois segmentos que podem ser aprimorados para que isso evolua: o receptor (produtor do conhecimento) e a fonte (meio de armazenamento de informação). Neste texto focaremos no segundo, visto que detém suma importância na elaboração do saber, assim como também, após a terceira revolução industrial adquiriu status de ramo de pesquisa, sendo parte fundamental e estratégica das empresas de tecnologia

 e governos.

O atual ápice da tecnologia de armazenamento de dados é o armazenamento quântico, o qual utiliza princípios da mecânica quântica para otimizar e melhorar os dispositivos de armazenagem. Entretanto, essa tecnologia ainda não se consolidou, visto que é muito custosa e atualmente só é usada em ambientes extremamente controlados. Assim, no intuito de compreender melhor o processo que levou a origem dessa técnica, a qual promete revolucionar cada vez mais esse segmento, abaixo temos alguns dos principais marcos na evolução do armazenamento de informação.  


A história do armazenamento informacional


Como já foi exposto, o modo de se armazenar informações não apenas acompanha a evolução da própria humanidade, mas também a eficiência dos métodos das sociedades passadas em perpetuar informações a seu respeito tem total influência no quanto sabemos a respeito delas. Suas culturas, saberes, técni-cas e modo de vida somente são de conhecimento atual se esses tiveram a capacidade de guardar elas.

Além disso, grandes descobertas nas mais diversas áreas do conhecimento, sobretudo na física e química, marcaram o desenvolvimento de novas técnicas de retenção de dados, com a implementação desses novos conceitos na armazenagem de informação. Nessa ótica, estão elencadas os principais marcos na evolução do armazenamento de acordo com seu período histórico:


1. Pré-história – A memória e  primeiros armazenamentos externos

No começo da história humana, o único meio de  guardar as informações era através da memória, a qual estava associada ao indivíduo e a sociedade que esse se insere. As pinturas rupestres, gravadas em rochedos, contêm as primeiras informações armazenadas fora do cérebro, as quais temos conhecimento, além delas, as esculturas com ossos, madeira e marfim (Silva,2005), também representam esse pontapé inicial nas técnicas humanas de armazenamento de dados. 

Gravura rupestre na Pedra do Ingá, em Pernambuco.

(Fonte: IPHAN, 2014)


2. Antiguidade – A invenção da escrita

A invenção da escrita ocorreu inicialmente com sumérios, há cerca de 5.400, no sul da Mesopotâmia no Oriente Médio. Posterior a isso, os povos egípcios, chineses e incas também desenvolveram suas formas de escrita (Silva, 2005).  Nessa perspectiva, pela primeira vez o ser humano desenvolveu a capacidade de expressar seus pensamentos e descrever experiências, mediante o uso de um conjunto ordenado de regras e símbolos, o que possibilitou maior abstração e complexidade a informação guardada, a qual agora possuí menor risco de se perder em comparação com a memória.


Escrita cuneiforme, de origem suméria, encontrada no Iraque.

(Fonte: Fedor Selivanov / Shutterstock.com)



3. Idade Média e Moderna – A imprensa e a reprodução da informação


A criação da imprensa por Johannes Gutenberg em 1454 e seu avanço fez a divulgação do conhecimento crescer exponencialmente, devido a facilitação do processo. Com a invenção do papel no século VIII pelos chineses, uma superfície mais flexível para a reprodução de imagens foi propiciada (Silva, 2005), de maneira a facilitar e baratear a fabricação.

Imprensa de Gutenberg.

(Fonte: Conhecimento Científico, 2021)


4. Séculos XIX e XX – A informação visual e sonora


Até o século XIX, não havia sido inventada nenhuma forma de se armazenar a imagem nem o som (Silva, 2005) , ou seja, tudo que havia guardado era em formato escrito ou pela memória. A concepção do funcionamento da câmera escura deu início a tecnologia de “captura de imagem”, de modo que a partir disso desenvolveram-se processos que permitissem a fixação de uma imagem na superfície com auxílio de processos químicos, esse desenvolvimento marcou o início da era da informação visual. De maneira similar a gravação de som também evoluiu com o tempo, com a invenção do fonógrafo patenteada por Thomas Edison como grande marco.



Cinematógrafo-Lumière 1895. 

(Fonte: Instituto de Cinema de SP)


5. Era digital 

O conceito físico por trás do início da era digital nos dispositivos de armazenamento foi transformar a informação em corrente elétrica, a qual gera um campo magnético em um material magnetizado que guardará a informação na forma do campo (Silva, 2005). O bit conceito implementado com essas tecnologias significa o nível de tensão que há na corrente, a qual pode ser somente a máxima, representada por 1, ou a mínima, ausência de tensão, representada por 0 (Silva, 2005).

Esse avanço na técnica, baseado na transformação da informação em sinais elétricos, possibilitou uma maior capacidade de depositar dados em um espaço menor nos HDs e SSDs, já que uma vez os bits tendo uma massa e volume menor conseguem reter a mesma quantidade de dados em relação a um livro por exemplo, assim compreendemos a ideia de “densidade informacional”, ou seja, possibilitar que mais informação seja conservada em um mesmo espaço, esse que é um conceito muito visado na indústria e engenharia.



 Programadoras operam o primeiro computador eletrônico da história - o ENIAC.

(Fonte: ARL Technical Library / U.S. Army)


Depois de significativos avanços na área, chegou-se a um ponto em que muitos se perguntavam como seria possível otimizar e aumentar a capacidade de armazenamento, no entanto como os métodos já existentes e o desempenho dos materiais usados não sustentavam mais a ambição humana, esta sedenta pela evolução e pelo progresso. Nesse contexto, buscou-se tecnologias que melhorassem a eficiência e qualidade de como os dados são guardados, um dos métodos mais modernos e complexos descobertos na atualidade é o armazenamento quântico.


O Marco do Século  


A Computação Quântica, área focada no processamento e análise de informações, avançou rapidamente na última década, impulsionada pelo desenvolvimento de novos avanços. Simultâneo a isso, o armazenamento quântico, o qual  é a tecnologia complementar para preservar esses dados, passou a usar conceitos como os qubits, para aumentar seu potencial de armazenagem. Esses avanços permitiram a execução prática de algoritmos quânticos em diferentes áreas, como aprendizado de máquina, finanças, química e cibersegurança. 

Essa brusca mudança proporcionou novas tecnologias que diferem-se das anteriores em conceito e potência, entre elas, a principal é o qubit ou qbit, os chamados bits quânticos. Estes operam em decorrência dos fenômenos de superposição e emaranhamento quântico, o que permite que estejam simultaneamente em uma combinação dos valores de 0 e 1, até serem medidos, diferente dos bits tradicionais que só podem estar em apenas um dos estados (Sobrinho, Alvaro Caetano Pimentel, 2018). ”Nesse sistema, a forma de transmissão da informação (aqui com sentido de memória) se dá através de fótons excitados em um feixe de luz e movimentados para uma matéria” (Sobrinho, Alvaro Caetano Pimentel, 2012). Nesse contexto, o conjunto dessas inovações possibilitou o surgimento do armazenamento quântico, o qual se tornou uma quebra de paradigma no campo de armazenamento de informações. A fim de compreender como chegamos a essas descobertas e a respeito de seu funcionamento, a seguir estão princípios essenciais que regem o comportamento dessa descoberta:

A superposição é um conceito fundamental para compreender tal descoberta, ele se refere a ideia de que não há um estado definido no sistema até que ocorra a observação para o definir, ou seja, naquele instante ambos os estados estão presentes de maneira sobreposta, aplicado ao qubit, os valores de 0 e 1 existem simultaneamente até que seja realizado a medição para que se determine um deles. Já o emaranhamento define a correlação que sistemas, apesar de distintos e espacialmente separados, têm de interferir nos demais, de modo que ao observar um deles o resultado da análise pode interferir no comportamento de um ou mais sistemas (Bekenstein & Schiffer, 1990).

Todas essas propriedades da mecânica quântica possibilitaram um melhoras enormes no armazenamento de informação, possibilitando maior densidade de dados, devido à magnitude do aumento de eficiência e a brusca redução de espaço ocupado. No entanto, existem problemas de fabricação e limitações dessa tecnologia, por exemplo se um estado de um qbit não for definido não se obtém informação nenhuma, demanda de espaços extremamente controlados, pois vibrações ou flutuações de temperatura podem ocasionar sérios danos a obtenção da informação, os recursos financeiros para se obter materiais específicos e a dificuldade de fabricação de peças em escala nano. Além disso, há limites para um sistema armazenar informação, já que embora melhores, porque estão limitados pelo total de energia e a dimensão linear do sistema, propriedades essas regidas pelas leis da física quântica e da relatividade (Bekenstein & Schiffer, 1990).

Sob essa perspectiva, é necessário que os esforços para controlar melhor essa tecnologia permaneçam contínuos, a fim de minimizar seus eventuais problemas ocasionados por leis e restrições de caráter quântico. Dessa forma, os limites para o armazenamento de informação serão abruptamente grandes, o que possibilitará um avanço ainda maior em diversas áreas do saber humano e num eventual futuro, viabilizar que essa tecnologia de ponta seja usada de maneira cotidiana em nossas vidas.


Retificado em: 01 de abril de 2026



Referências 


BARBOSA, A.C.M. O que é computação quântica? Forbes. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/06/o-que-e-computacao-quantica/. Acesso em: 16 de março de 2026.

BARRETO, Aldo de Albuquerque. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva, v. 8, n. 4, p. 3-8, 1994. Disponível em: https://lucianabicalho.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/08/aquestaodainformacao.pdf. Acesso em: 16 de out. de 2025.

BEKENSTEIN, Jacob D.; SCHIFFER, Marcelo. Quantum limitations on the storage and transmission of information. International Journal of Modern Physics C, v. 1, n. 4, p. 355–422, 1990. Disponível em: https://arxiv.org/pdf/quant-ph/0311050. Acesso em: 9 de nov. de 2025.

CNN BRASIL. Do ENIAC ao notebook: confira a evolução dos computadores nas últimas décadas. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/do-eniac-ao-notebook-confira-a-evolucao-dos-computadores-nas-ultimas-decadas/. Acesso em: 15 nov. 2025.

INSTITUTO DE CINEMA. A origem do cinema – InC | Instituto de Cinema | Cursos de Cinema e Atuação. Disponível em: https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/a-origem-do-cinema. Acesso em: 15 nov. 2025.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/824. Acesso em: 15 nov. 2025.

R7. Invenção da imprensa. Disponível em: https://conhecimentocientifico.r7.com/invencao-da-imprensa/. Acesso em: 15 nov. 2025.

SILVA, Luis Felipe Oliveira. Técnicas utilizadas no armazenamento de informação. [S.l.], 2005. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/2845/4/LFOSilva.pdf. Acesso em: 24 de out. de 2025.

SIRUGI, F. Escrita cuneiforme. Disponível em: https://www.infoescola.com/civilizacoes-antigas/escrita-cuneiforme/. Acesso em: 15 nov. 2025.

SOBRINHO, Alvaro Caetano Pimentel. A memória e o conceito de bit quântico. DataGramaZero: Revista de Informação, v. 13, n. 3, p. 1-14, jun. 2012. Disponível em: https://cip.brapci.inf.br/download/45822. Acesso em: 9 nov. 2025.

SOBRINHO, Alvaro Caetano Pimentel. Preservação de memória, o qbit e a criptografia quântica. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 9, n. 2, p. 71-88, 2018. Disponível em: https://revistas.usp.br/incid/article/download/139502/148273/317976?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 5 de out. de 2025.



 
 
 

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